Hahaha, mas eu to rindo à toa!

março 22, 2010

Encerra-se nesta segunda-feira, no parque do Ibirapuera, a Risadaria, maior evento de humor do mundo!

Achei demais a idéia. Pra mim, a capacidade de fazer os outros sorrirem é uma das maiores virtudes que uma pessoa pode ter.

Há muitas maneiras de se fazer alguém sorrir. Aos nostálgicos, pode ser uma lembrança. Pode ser ver alguém de quem a gente gosta se dando bem. Pode ser contando a piada do Joãozinho.

Na tarde do último domingo o Santos ganhou. De novo. De goleada. De novo. Dando show. De novo. Parece piada, né?

Foram nove gols que se somaram a tantos outros, que fazem com que o Santos seja o time de futebol que mais balançou as redes adversárias na história (via @fylismino).

Santos venceu por 9x1 o Ituano, no Pacaembú

Gol no futebol é sinônimo de sorriso! O santista está rindo à toa! Quem gosta de futebol está rindo à toa!

Há muitas maneiras de se fazer alguém sorrir. Pode ser jogando muita bola dentro de um campo de futebol!

O mundo perde um pouco da alegria com violência, com corrupção, quando alguém como o Glauco se vai. Aos nostálgicos, também pode ser triste lembrar que ontem, Ayrton Senna completaria 50 anos.

O ídolo Ayrton Senna da Silva, que hoje teria 50 anos

Mas é bom saber que, apesar disso, o mundo ainda tem muita graça.

Seja graças à galera da Risadaria, seja graças ao talento dos meninos da Vila e de muitos outros que fazem do futebol um motivo pra se sorrir.

@joaodutra


Marinheiros

março 3, 2009

Muitas pessoas passam pelas nossas vidas e muitas delas são simplesmente esquecidas com o passar do tempo. Isso é fruto, dentre outras coisas, da natureza do relacionamento que construímos com elas. No mundo de hoje, as relações são cada vez mais fugazes. E isso também se reflete no esporte. Poucos serão lembrados como ídolos. Poucos criam laços firmes com seus torcedores.

O fato que me suscitou esse pensamento foi a assustadora ascensão do garoto Keirrison, atacante do Palmeiras. Quantos gols! Quanta técnica! Quanto talento! Quanto tempo mais vocês acham que ele vai vestir a camisa alviverde?

Mais do que a tristeza de perder um craque para o futebol da Espanha, da Ucrânia, de Marte ou seja lá de onde for, o que me decepciona é o fato de que esse quase-herói vai ser em breve esquecido pela torcida. Vai ser só mais um cara que prometia muito! Mas não teve tempo de cumprir essa “promessa”. Não há laços firmes. Não é culpa da torcida, não é culpa do garoto é culpa do mundo que, ó, é cruel. Ou talvez da crise. É tudo culpa da crise!

Trago então, como um suspiro de esperança ou um quê de nostalgia – interpretem como quiser – os exemplos de duas torcidas que me surpreendem pelos laços que criaram com dois personagens do esporte brasileiro.

Um desses personagens foi um rapaz esforçado, de sobrenome Silva, que em outubro de 1991 conseguiu subir ao topo do automobilismo mundial pela terceira vez. O corintiano Ayrton Senna nos deixou há mais de uma década, mas ainda é intensamente homenageado. Boa parcela dessas homenagens parte de seus companheiros de torcida. A Gaviões da Fiel adotou o ídolo como símbolo de raça e dedicação. Senna sempre é lembrado pela nação corintiana, seja em forma de sua imagem nas bandeiras hasteadas nos estádios de futebol, seja no carnaval, na avenida, em forma de enredo da escola de samba, como foi esse ano.

O outro personagem é um senhor que durante muito tempo teve a fama de “pé frio”. 14 de Julho de 2005. A Copa Libertadores da América vai chegando ao seu fim. O São Paulo vence a partida contra o Atlético Paranaense por 3 a 0 e está conquistando seu terceiro título da competição. A torcida grita o nome do time. A torcida grita o nome de todos os jogadores. A torcida grita “É campeão”. A torcida grita o nome de… Telê Santana. O ex-treinador também havia nos deixado, não estava no banco de reservas naquele dia. Mas aonde quer que estivesse, os sãopaulinos queriam lembrá-lo de que ele era lembrado. De que um laço foi criado.

Um laço foi criado e mantido. Não apenas um laço, talvez um nó, desses de marinheiro, que não é fácil desatar. E dou meus parabéns a essas duas torcidas, a esses marinheiros que tratam de lembrar e relembrar incessantemente das pessoas a quem julgam especiais, a quem julgam dignos de não serem esquecidos.

João Dutra

Senna e Telê


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