Copa do Mundo…Ahhh, a Copa do Mundo. Para os que amam futebol, um mês de debates, bolões, apostas e muita, muita discussão. E dentre os tanto desarranjos, um em especial chama minha atenção. O duelo Dunga x crônica esportiva.
Essa “guerra” de nervos não está relacionada somente ao fato de Dunga ter o cargo com o maior número de especialistas do mundo. Afinal, quem disse que ele sabe mais de futebol que eu ou você? Da Copa de 90 ao título de 94, a relação Dunga x Imprensa nunca se deu de maneira muito amável. Mas piorou muito desde o seu anúncio como o comandante da seleção.
Voltando um pouco no tempo, me lembro bem que em 2006 era colocado com absoluta certeza de que Dunga vinha por 2 motivos:
1 – Depois de tanta confusão e arruaça na preparação e disputa da última Copa, era preciso de alguém mais “xerifão”.
2 – Não seria problemático demitir Dunga a qualquer momento, para que Felipão assumisse a seleção quando estivéssemos mais próximos de 2010.

Dunga sempre foi marcado pela expressão fechada
E foi nesse tom que ele trabalhou nos anos seguintes. Sempre visto como tampão, limitado e rigoroso.
Dunga passou por tudo. Vitórias, derrotas e muitos títulos. E com tudo que conquistou, ou melhor, mesmo conquistando tudo, não caiu nas graças da imprensa e amantes do futebol. Futebol de resultados, mas não de jogo bonito.
Onze jogadores, um objetivo: vencer. Esse parece ser o lema de Dunga.
E teve de ouvir, durante 4 anos, que não chegaria à Copa do Mundo. Mas chegou, favorito e com o respeito dos jogadores. Porém, de novo, sem imprensa e opinião pública ao seu lado. Afinal, não levou com ele Ronaldinho, Ganso, Neymar, o filho da vizinha…
Concordo com grande parte dos questionamentos técnicos feitos pela mídia. Também queria ver o Ganso nessa seleção. E também não gosto de ver um quarto do time ser formado por volantes. Mas eu, mero espectador, já não agüentava mais ver os programas esportivos dedicados a criticar o trabalho de Dunga. Imagine ele.
Sempre uso como exemplo a seguinte simulação: imagine você em sua mesa trabalhando com 50 pessoas te olhando utilizar email, Power Point, ou seja lá o que usar no dia-a-dia. Isso, na minha opinião, é uma pequena comparação do que é entrar em campo.
Agora imagine que depois de trabalhar sob essa pressão, você entre em reuniões diárias e ouça que seu trabalho é ruim, mesmo sua empresa tendo crescido vertiginosamente no último ano. Adicione isso ao fato de que as pessoas que te criticam nunca sentaram em sua cadeira ou nem mesmo trabalharam na mesma área que você.
Para completar, você só pode falar nessas reuniões uma vez por semana, durante 15 minutos. Com exceção a esse período, só questionamentos. Como seria sua relação com essas pessoas da reunião?
Essa é mais ou menos a relação que Dunga tem com a imprensa. Todos os dias, em todos os veículos de comunicação de esporte, durante 4 anos, ele teve de escutar que não era bom o suficiente para o cargo que exercia. Por mais que não seja o melhor técnico do mundo, o volume de críticas ultrapassou limites. E como Dunga não é um cara calmo, falou mais do que devia no momento mais inadequado possível. Não se fala “Cagão” e “Seu merda” em uma coletiva de imprensa que todo o mundo está assistindo.
A ironia disso é que a imprensa exige de Dunga o comportamento que condiz com o cargo que exerce. Mas não o trata com o respeito que deveria.
@fcury