Números, surpresas, gregos e troianos

novembro 30, 2008

São quase 5 horas, já vai começar. O hino antes do jogo é sempre emocionante, a câmera passeando pelos jogadores, alguns cantam, outros se calam. 1 minuto de silêncio. Desta vez não era um joão-ninguém, era o presidente campeão do mundo! Primeira surpresa do dia. Triste, mas segue o jogo.

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A segunda surpresa do dia vem logo em seguida, menos de um minuto depois. Esse coração valente quase mata a platéia do coração. E mais um minuto de silêncio no estádio, mas desta vez não morreu ninguém. Quanto nervosismo! Chuta! Não está impedido! Marca! Os mineiros fizeram um gol! Os gaúchos fizeram 3. Aqui nada. E final do primeiro ato.

Vai começar o segundo, mas faltam 11 atores. Que demora! Espera, um deles não volta, entra um menino em seu lugar. Informação irrelevante, um menino não vai fazer diferença. E recomeça a festa. Os gaúchos já terminaram a deles, com o quarto, enquanto o barco dos portugueses afunda no oceano ao lado. Desta vez não haverá terra a vista, haverá, isso sim, um mar de lágrimas. A cruz de malta vem logo atrás.

O tempo passa e nada. Mas olha lá, alguém resolve aprontar! Um menino! Quem diria, um menino, 67 mil bocas caladas, mais silêncio! Desespero. Como assim? Mas estamos em casa! Isso não é justo! E quem disse que isso é um tribunal? Nem do juiz da pra reclamar.

O tempo passa mais rápido. 1000. Mil. Mil gols já foram, e a platéia só pede um, pra voltar a respirar. E não desistem! E eles tentam, e tentam, e tentam, e… (um segundo de silêncio). Pronto, podem gritar! 10 minutos de festa! Um suspiro de alívio.

O tempo voa. E já foi. E não foi, ao menos desta vez. Mas não acabou. Tem que ser assim, sofrido, um drama. Um drama, não é isso que fazem nos espetáculos, desde a época dos gregos!? Sejamos os gregos, então!

Agora são mais 7 dias de espera, 90 minutos de sufoco, contra os troianos, digo, os goianos, longe da nossa casa, mas longe da deles também. E quem sabe, ao final, sem cavalos ou outras surpresas, no momento certo, na hora “H”, gritar aquela palavra que está presa. Palavra que nunca antes na história deste país alguém pôde gritar!

by João


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