Quem é maior – Clubes ou Rede Globo?

outubro 13, 2009

O texto que você lerá abaixo será um pouco diferente dos outros que fiz. Na verdade, ele é uma mistura de desabafo com uma inovação no Futebart – a utilização de enquetes.

Desde 2003, o Campeonato Brasileiro está sendo disputado no formato de pontos corridos. Ou seja, todos contra todos em casa e no estádio adversário, sendo 20 participantes.

Até 2002, depois de muitas mudanças de regulamento, o torneio foi disputado por 26 clubes em turno único. Oito clubes se classificavam, enfrentando-se em mata-mata até a final. Informações mais detalhadas, aqui.

Agora, a Globo quer voltar com o velho formato. Abaixo um panorama (nada imparcial) do cenário.

Quem é mais importante - Rede Globo ou clubes de futebol?

Quem é mais importante - Rede Globo ou clubes de futebol?

Por que mudou:

Motivo 1 – O formato de pontos corridos é mais justo e premia os times com maior regularidade, ou seja, os que têm a melhor estrutura dentro e fora de campo.

Motivo 2 – Essa maneira de jogar o principal torneio nacional é utilizada há décadas pelos grandes centros europeus como Itália, Inglaterra, Espanha, Alemanha, etc…

Motivo 3 – Os clubes brasileiros são mundialmente famosos pela desorganização administrativa. O novo formato do torneio (vide motivo 1) obrigou grande parte a repensar como gerir o clube. Caíram para a Série B: Palmeiras, Fluminense, Corinthians, Botafogo, Grêmio, Vasco da Gama, Atlético MG, Sport – todos ex-campeões brasileiros.

Motivo 4 – O patrocínio nas camisas é menos impactado pelo resultado dos times e ajuda clubes com menos chances de título. Exemplificando: O Santo André tem poucas chances de título e conseqüente pouca exposição de mídia. Entretanto, pode jogar contra o Palmeiras em rodadas decisivas e expor a marca da camisa para muita gente, o que valoriza seu patrimônio. No formato antigo essas oportunidades também existiam, porém muito mais raras.

Um dos maiores clubes do país, o Corinthians teve de amargurar a segundona depois de muita confusão na gestão do clube.

Um dos maiores clubes do país, o Corinthians teve de amargurar a segundona depois de muita confusão na gestão do clube.

Por que querem que volte:

A Globo afirma que sua média de pontos no Ibope caiu em função dos pontos corridos. Isso porque nem sempre a rodada tem um jogo que atraia a atenção de muita gente nos sofás.

No entanto, nos estádios a média de público cresceu vertiginosamente nos últimos anos. Entre 2001 e 2002 foram, em média, pouco mais de 11 mil pessoas aos estádios brasileiros. Entre 2007 e 2008, esse número atingiu a marca de 16 mil pessoas. Quer saber mais? Clique aqui.

De fato, a Globo arrecadava muito dinheiro com os 30 jogos decisivos do formato anterior (8as, 4as, semis e final). O grande erro dessa fórmula era o fato de que clubes que terminavam a 1ª fase em 8º lugar poderiam ser beneficiados por arbitragem, ou até mesmo por lesões e suspensões dos adversários e mesmo assim serem campeões.

O formato desprestigia clubes estruturados, organizados e com planejamento (palavra que tanto se fala e pouco se aplica) transformando o Brasileirão em um grande jogo de azar.

Caso o campeonato terminasse hoje no formato antigo, Palmeiras e Corinthians se enfrentariam nas 8as. No último jogo o Palmeiras jogou com 6 desfalques entre lesões e suspensões, o que poderia tranquilamente acontecer em um jogo eliminatório. Se perdesse para o Corinthians, ficaria implícito que o time alvinegro foi melhor no campeonato, o que passa em léguas de distância da verdade.

Provavelmente, existem mais zilhões de motivos aqui esquecidos ou simplesmente desconhecidos.

Dê seu voto e, principalmente sua opinião. Você acha melhor pontos corridos ou mata-mata?

Fernando Cury


O menino, o jogador, o melhor do mundo…o pior do mundo?

dezembro 2, 2008

Quando penso em futebol arte, alguns nomes me vêm rapidamente à cabeça. Zidane, o melhor jogador que assisti ao vivo (mesmo que pela televisão), Ronaldo nos seus tempos áureos e… Ronaldinho Gaúcho. Nunca vou me esquecer da estréia de um menino franzino contra a Venezuela onde ele fez um dos gols mais bonitos de sua história. Chapéu no zagueirão logo na 1ª partida pela seleção. Bom, era inegável que o rapaz tinha estrela!

O tempo passou e as expectativas se confirmaram. Havia ali um novo monstrinho da história do futebol mundial. Porém, logo no começo de sua carreira, na transferência de Grêmio para Paris Saint Germant, a 1ª confusão que o deixou fora dos gramados por 6 meses. O Grêmio lutava por seus direitos financeiros, mas desconsiderava o fato de que o garoto estava em um país estranho sem poder fazer a coisa que mais gostava: jogar bola. O tempo passou novamente e, alguns anos depois, aquele mesmo garoto de 17 anos havia se tornado um robusto jogador, agora o melhor do mundo.

Pois que o tempo, grande aliado e temível inimigo se foi e com ele o status de Ronaldinho. Culminado na copa, todas as críticas recaíam sobre seu peso e suas escapadas noturnas. “Oras, que Ronaldinho Gaúcho deve honrar a camisa as seleção!”. Pois que pensava: “Por que diabos ele deve alguma coisa ao Brasil?” Com exceção ao fato de que nasceu nas terras canarinhas, fosse pelo nação brasileira que tanto o cobra em campo, Gaúcho seria mais um nas estatísticas brasileiras. Pobre, sem acesso à educação de qualidade e todos os outros problemas sociais a qual estamos acostumados (infelizmente…). Sem, obviamente, desconsiderar o fato de que aos 25 anos já havia sido considerado o melhor de sua profissão no mundo inteiro. Por duas vezes! Logo, se desmotivou. Outras variáveis, pessoais e profissionais, podem ter impactado na queda de rendimento, mas é lamentável a falta de compreensão / gratidão / bom senso da mídia esportiva brasileira. Esses mesmos jornalistas que tanto cobram mais profissionalismo das entidades regulatórias do esporte no Brasil pouco se sensibilizam com o histórico social dos jogadores. Com exceção às entrevistas pessoais, grande parte deles se esbalda em pontuar falhas técnicas dos grandes jogadores. Exemplos como o de Ronaldinho, ou até mesmo Adriano, que soube da morte mais do que estranha do pai aos 21 anos, morando sozinho na Itália, não faltam.

Espero sinceramente o dia em que estarei na minha rotina às segundas-feiras assistindo à programas esportivos em que algum deles levantar a voz e ponderar perante Jucas Kifouris e Galvões Bueno a necessidade de ajudarmos não apenas o Campeonato Brasileiro ficar mais justo ou rentável, e como segurar os jogadores de futebol no Brasil para os clubes obterem rendas maiores posteriormente, mas também conseguir enxergar os malefícios sociais para esses garotos que tão cedo vislumbram sair de suas casas e deixar os amigos por dinheiro na solidão da Europa, Ásia e assim vai…

Bom, desabafo feito, prometo um texto mais futebolístico pra próxima vez!

Fernando Cury


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