Os Libertadores da América

maio 18, 2010

Há uns 200 anos, Simón Bolívar e mais alguns líderes latinoamericanos decidiram que não queriam mais que América Espanhola fosse chamada de ‘América Espanhola’ e passaram a lutar pelo fim do domínio europeu na região.

Estátua de Simón Bolívar, na entrada do Central Park, em Nova York

Algum tempo depois, Dom Pedro I fez o mesmo. Gritou que se o Brasil não fosse independente, o bicho ia pegar.

Passados os anos de batalha, eles alcançaram seu objetivo. Tornaram o cone sul ‘livre’ das metrópoles do velho continente. Esses caras ficaram conhecidos como os Libertadores da América.

Às vezes me pergunto por que a Taça Libertadores da América causa tanto frisson na torcida e nos jogadores de futebol cá pra esses lados do Atlântico.

Boca Juniors, da Argentina, enfrenta o Defensor, do Paraguai, pela Libertadores de 2009

Não são partidas, são batalhas em campo. Quem torce costuma dizer que não basta talento pra conquistar o campeonato, precisa é de muita raça, muita luta. Precisa gritar. Precisa dar o sangue.

A origem do nome do campeonato talvez ajude a explicar isso. Quando entram em campo pela Libertadores da América, a torcida e os jogadores têm que honrar a luta de seus líderes históricos pela liberdade, têm que honrar o orgulho da sua pátria. E pra honrar a pátria, é preciso dar o sangue.

@joaodutra


A queda do Império Romano

março 9, 2010

Notícia do GloboEsporte.com, de agosto de 2009: o Palmeiras, então líder do Brasileirão, havia se tornado o time com melhor campanha da era dos pontos corridos.

http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Futebol/Brasileirao/Serie_A/0,,MUL1252312-9827,00.html

De lá pra cá, porém, uma série de fatores fragilizaram esse gigante alvi-verde e o império vem desabando…

O declínio econômico

Houve um grande investimento financeiro para a contratação de Muricy Ramalho e para repatriar Vagner Love. Alto investimento exige, igualmente, alto retorno.

A contratação de Vagner Love

O exército

Necessidade de alto retorno gera pressão. Pressão faz com que todos aqueles envolvidos na busca do objetivo se sintam em um conflito incessante, uma mistura de medo, receio, forte auto-cobrança. São poucos os que conseguem enxergar isso como um desafio, são poucos os que conseguem lutar sob pressão.

O exército estava pressionado

O declínio cultural

A torcida não quer saber disso, a torcida quer saber de resultados, a torcida quer saber de títulos. Boa fase no campeonato gera confiança, gera expectativa. Quanto maior a expectativa, maior a frustração, que gera mais pressão e aumenta a exigência do retorno. A torcida espera vitórias, se elas não vêm, a cobrança aumenta.

E a torcida aumentou a cobrança

Ciclo do fracasso. É isso o que está acontecendo com o Palmeiras. E é assim que está caindo o império alvi-verde. Foi assim que caiu Império Romano.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Queda_do_Império_Romano

E a queda maior ainda pode estar por vir… pra segunda divisão. Aguardem…

@joaodutra


Ah, o Maraca…

outubro 13, 2009
Desde que me dou por gente, ouço histórias do meu avô sobre os jogos do Santos que ele assistia no Maracanã. Mesmo sendo palmeirense, era um apaixonado pelo futebol e acompanhava todos os times da capital paulista.

No último sábado, tive a sensacional oportunidade de conhecer o maior estádio do país. Rodeado de placas com os dizeres “Palco da Final da Copa do Mundo de 2014”, ele impressiona pelo tamanho. Gigantesco. E não há outra palavra que descreva melhor.

Maracanã abençoado

Maracanã abençoado

Como bom São Paulino, me aventurei a ficar na torcida tricolor já com a premissa que teríamos tratamento similar ao recebido no Mineirão (que além de feio tem pilares enormes entre torcida e campo). Ledo engano. O acesso, as ruas ao redor e até mesmo o policiamento não trouxeram sequer um problema na chegada ao Estádio. A venda de cerveja ao redor do local é de fato proibida, ao menos no lugar onde estava. O número de vendedores ambulantes era insignificante se comparado ao Morumbi.

Os momentos mais perturbados na ida a um jogo são a chegada e a saída e, até então, não havia encontrado problemas. Porém, dois amigos que encontrei me apontaram a grande falha do estádio, a sinalização. Para os turistas em absoluto, ou seja, desacompanhados de qualquer nativo do Rio de Janeiro, a visita não é tão simples. Falta indicação de caminhos, transporte, entrada e por assim vai.

Problemas como esses sempre me levaram a defender a demolição de estádios e posterior construção de arenas modernas com a pompa dos europeus. Para o Maracanã, porém, devo abrir uma exceção. O charme do lugar, a história que o cerca e a festa da torcida encantam, e parte o coração imaginar tudo aquilo vindo abaixo em troca de mais alguns petrodólares. Oras, que tenhamos então um pouco de apego a todo aquele concreto.

Projeto para a Copa - Que saia do papel sem custos absurdos

Projeto para a Copa - Que saia do papel sem custos absurdos

Já tive a oportunidade de conhecer alguns estádios no Brasil e até estudar arenas internacionais. Passo a acreditar que não há no mundo encanto igual em uma partida de futebol como a que eu assisti neste sábado. Espero que o Rio de Janeiro mude sua filosofia do “jeitinho” e realmente se organize para os eventos mundiais que lá ocorrerão, elevando um de seus maiores patrimônios ao patamar que ele merece.

O jogo…Bom , o jogo o São Paulo perdeu. Mas eu ganhei, e muito, em poder conhecer o Maraca…

Fernando Cury


Romeu e Julieta

setembro 3, 2009

Semana passada teve tsunami verde. Dava pra ver camisas do Palmeiras no ônibus, na faculdade, no metrô, no trabalho e em um monte de lugares, pra comemorar o aniversário do clube.

Essa semana tivemos o Dia do Corinthians. Dessa vez foi a vez de tornar mais alvi-negro os ambientes da terra da garoa, pra assoprar as 99 velas do bolo corinthiano.

Banner de divulgação do Dia do Corinthians

Vi muitos santistas, sãopaulinos com camisas de seu time ultimamente também. Mas o que deu nos torcedores? Estão todos se copiando?

Falando em cópia, como os sãopaulinos vem dizer que “O Campeão Voltou”? Não era “o Coringão voltou”? O do retorno do Timão às glórias depois de uma fase difícil?

E que raios é o Palmeiras adotar a cor vermelha para representar o clube? Querem ser tricolores também?

Torcida palmeirense e seus balões vermelhos

Não nos odiamos? Então porque somos tão parecidos?

Por que a gente é tudo igual! Igual não, melhor! Queremos ganhar do outro em tudo!

Assim, o Dia do Corinthians faz muito mais sucesso, a torcida corinthiana é muito maior!

É melhor gritar o retorno de um campeão do que de um time da segunda divisão!

Vermelho no uniforme é tradição italiana! Time sem raízes tem que respeitar.

Tem também a estação Corinthians-Itaquera, Barra-Funda-Palmeiras, Santos-Imigrantes e São Paulo-Ana Rosa (como diria um amigo palmeirense).

Correção: São Paulo-Morumbi! O estádio que vai representar a cidade na Copa do Mundo do Brasil! E pensar que tem time que nem estádio tem…

Torcida do São Paulo no estádio que será palco da Copa do Mundo

Rivalidade à parte… espera um pouco… que rivalidade à parte nada! Futebol com rivalidade à parte não tem graça!

Legal mesmo é tirar sarro do outro! E aguentar as brincadeiras quando nosso time perde.

Rivalidade é necessária pra dar tempero. Não fosse a rivalidade, Romeu e Julieta só seriam mais um casalzinho qualquer.

Sendo assim, viva a rivalidade, que apimenta e dá mais graça às histórias! Nos romances, nas tagédias e no futebol!

João

PS: Rivalidade não é violência, é sempre bom lembrar. Paz, sempre!


Marinheiros

março 3, 2009

Muitas pessoas passam pelas nossas vidas e muitas delas são simplesmente esquecidas com o passar do tempo. Isso é fruto, dentre outras coisas, da natureza do relacionamento que construímos com elas. No mundo de hoje, as relações são cada vez mais fugazes. E isso também se reflete no esporte. Poucos serão lembrados como ídolos. Poucos criam laços firmes com seus torcedores.

O fato que me suscitou esse pensamento foi a assustadora ascensão do garoto Keirrison, atacante do Palmeiras. Quantos gols! Quanta técnica! Quanto talento! Quanto tempo mais vocês acham que ele vai vestir a camisa alviverde?

Mais do que a tristeza de perder um craque para o futebol da Espanha, da Ucrânia, de Marte ou seja lá de onde for, o que me decepciona é o fato de que esse quase-herói vai ser em breve esquecido pela torcida. Vai ser só mais um cara que prometia muito! Mas não teve tempo de cumprir essa “promessa”. Não há laços firmes. Não é culpa da torcida, não é culpa do garoto é culpa do mundo que, ó, é cruel. Ou talvez da crise. É tudo culpa da crise!

Trago então, como um suspiro de esperança ou um quê de nostalgia – interpretem como quiser – os exemplos de duas torcidas que me surpreendem pelos laços que criaram com dois personagens do esporte brasileiro.

Um desses personagens foi um rapaz esforçado, de sobrenome Silva, que em outubro de 1991 conseguiu subir ao topo do automobilismo mundial pela terceira vez. O corintiano Ayrton Senna nos deixou há mais de uma década, mas ainda é intensamente homenageado. Boa parcela dessas homenagens parte de seus companheiros de torcida. A Gaviões da Fiel adotou o ídolo como símbolo de raça e dedicação. Senna sempre é lembrado pela nação corintiana, seja em forma de sua imagem nas bandeiras hasteadas nos estádios de futebol, seja no carnaval, na avenida, em forma de enredo da escola de samba, como foi esse ano.

O outro personagem é um senhor que durante muito tempo teve a fama de “pé frio”. 14 de Julho de 2005. A Copa Libertadores da América vai chegando ao seu fim. O São Paulo vence a partida contra o Atlético Paranaense por 3 a 0 e está conquistando seu terceiro título da competição. A torcida grita o nome do time. A torcida grita o nome de todos os jogadores. A torcida grita “É campeão”. A torcida grita o nome de… Telê Santana. O ex-treinador também havia nos deixado, não estava no banco de reservas naquele dia. Mas aonde quer que estivesse, os sãopaulinos queriam lembrá-lo de que ele era lembrado. De que um laço foi criado.

Um laço foi criado e mantido. Não apenas um laço, talvez um nó, desses de marinheiro, que não é fácil desatar. E dou meus parabéns a essas duas torcidas, a esses marinheiros que tratam de lembrar e relembrar incessantemente das pessoas a quem julgam especiais, a quem julgam dignos de não serem esquecidos.

João Dutra

Senna e Telê


“Non si vende, Kaká”

janeiro 19, 2009

Lembro-me do gol que Kaká fez no Botafogo na estréia como profissional no São Paulo. Era ele ou Renatinho que jogariam. Entrou Kaká. Ele arrebentou naquele jogo. Gol e passe. E assim foi até a transferência pro Milan. Na Bota, continuou se destacando. E em um de seus primeiros jogos, contra a Inter de Milão, fez gol e meteu a mão na cara do Recoba, argentino marrento. Assim, colocou um dos ídolos no time, Rui Costa, no banco. Ficar falando do sucesso dele é besteira. Todos conhecemos. É o melhor do mundo e um dos poucos jogadores que meu avô, espectador de Coutinho, Pelé e cia., elogia. Tática e tecnicamente quase perfeito. Fora de campo, um exemplo.

Um ídolo inquestionável de um dos maiores clubes do mundo, com perspectiva de se tornar um dos ícones históricos do clube, ao lado de Maldini, que nasceu, cresceu, se reproduziu e se aposentará no Milan. Porém lá vieram os dólares. Ah, os dólares…nesse caso, euros…e muitos! Sejam 50, 100 ou 300 milhões, sinceramente não faz diferença. É mais do que ele mereça como profissional de futebol.

Amo o esporte em questão, porém jamais conseguirei sorrir sabendo de todas as fraquezas da sociedade, e ainda assim, assistir bilionários árabes torrarem suas finanças com seus hobbies. Se Kaká de fato aceitar a proposta, mancha a carreira, estraga um futuro promissor e tira mais um pedacinho da esperança desse que vos escreve no que diz respeito à integridade que só o futebol pode oferecer e propagar.

Jornalistas, jogadores e admiradores do futebol (em diferentes níveis de paixão), todos parecem torcer pelo fracasso da negociação. Não pelo fato de Kaká jogar no futebol inglês, mas pelo que representa. Mais uma vez, veremos o futebol ser usado como arma de cidadãos sem idoneidade. Ponto pras pessoas do mal.

Mais curto, esse foi só um desabafo passageiro… A tristeza que acredito estar sendo compartilhada por todos que acreditam que o futebol é mais do que milhões, bilhões, trilhões e petróleo. È mais…bem mais…E o videozinho abaixo mostra uma parte disso.

Aos que leram, muito obrigado!

***Em tempo! Ele negou e ficou!!!!! Kaká non è in vendita!!! Ponto profutebol!!!

Fernando Cury


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