À francesa

outubro 25, 2010

Em 2006, o francês Thierry Henry disse que no Brasil, as crianças passam o dia jogando bola, enquanto na França eles estudam. Por isso, somos melhores no futebol.

Os críticos não gostaram, disseram que ele estava sendo irônico.

Na última semana, na França, a agenda do dia foram os protestos da população contra medidas do governo a que julgam prejudiciais ao bem estar do país.

Na última semana, no Brasil, os olhos estiveram voltados para a bola de papel, que pode decidir as eleições e, portanto, o futuro da nossa nação.

A bola é realmente importante neste país tropical, abençoado por Deus. Aparentemente, mais do que educação.

Ironias à parte, se eu fosse um dos críticos do Henry, eu mudaria meus conceitos, ou sairia de cena, à francesa.

Anos atrás, tivemos o ano da França no Brasil. Era a oportunidade de ensiná-los a jogar bola. Quem sabe, em troca, eles pudessem nos ensinar a ser cidadãos.

@joaodutra

Link pra declaração do Henry: http://esportes.terra.com.br/futebol/copa2006/selecoes/interna/0,,OI1056503-EI5720,00.html


Mais do que de batata

outubro 13, 2010

Ouvi dizer que devemos batatas aos vencedores.

As batatas

Sabe o Hernanes? Se você não sabe, tudo bem, ele era discreto e humilde. Não tinha chuteira dourada, nem aparecia em propaganda.

Ainda menino, chegou ao São Paulo, vindo do Recife. Logo foi emprestado ao Santo André e só depois retornou ao time, como reserva.

Sabia jogar na defesa, aprendeu a atacar. Sabia desarmar uma jogada, aprendeu a armar. Chutava bem de direita, melhorou a canhota.

Quanta luta pra escrever seu futuro, ein! Me lembra o Charlinho, que ia pra escola, a 1.200 km da sua casa, a pé!

Valeu a pena. Li que o Hernanes se tornou, em pouco tempo, um dos destaques da Lazio no futebol italiano. Nem o Kaká se adaptou tão rápido à terra do Fellini. Un ragazzo d’oro, il Profeta.

O vencedor

Olha lá! O Hernanes é um vencedor, então, devemos a ele as batatas! Ou melhor, a pizza, de mozzarella. Na Itália, eles gostam de massa, mais do que de batata.

@joaodutra


Follow @manomenezes!

julho 26, 2010

“Quero agradecer profundamente as manifestações de apoio e msgs de carinho que recebi de vcs nesta semana e, em especial, no dia de hoje.”

Esse foi o tweet (!) de Mano Menezes logo após ser anunciado como novo treinador da seleção brasileira.

Mano, gaúcho de Passo do Sobrado.

É o técnico que reergueu dois dos grandes clubes de futebol do país.

Foi o general do exército gremista que venceu o Náutico jogando com apenas 7 jogadores, na partida que entrou para a história como A Batalha dos Aflitos.

Ali, chamou a atenção o trabalho de Luis Antônio Venker de Menezes, ou Mano Menezes.

No Corinthians, assumiu o timão do barco alvi-negro, que emergiu da segunda divisão ao topo do futebol nacional, com o título da Copa do Brasil.

Missão: o Hexa.

É formado em Educação Física e Administração. Estudou pra chegar onde está, valorizo isso.

Nunca ganhou um título internacional – foi eliminado pelo Flamengo no comando do centenário corinthiano na Libertadores. Esse é seu calcanhar de aquiles.

Mas sabe motivar um time. Conhece o futebol brasileiro. Não é polêmico. Vai dar certo, confio que vai.

E creio que a torcida vai apoiá-lo, mas só depois que conhecê-lo melhor.

A próxima Copa é aqui, não vai poder perder. Vida de treinador da seleção não é fácil, a fiscalização vai ser cerrada.

Boa sorte, @manomenezes, o Brasil is now following you!

@joaodutra

É preciso chutar em gol!

julho 20, 2010

Aprendi a gostar de futebol muito cedo. Apesar de meu pai nunca ter sido o cara mais entusiasmado do mundo com isso, sempre admirou o São Paulo. Além dele, sempre tive uma grande referência futebolística, meu avô. É disso que falarei próximas linhas.

Desde que me dou por gente, ouço as histórias dele de quando era zagueiro. Jogava no Mem de Sá B, um dos melhores clubes da várzea, segundo ele. Era zagueiro, mas não era brucutu não senhor. Batia faltas colocadas e não na pancada como geralmente cobram os zagueiros. Era técnico, alto e mantinha a forma física para jamais perder uma bola na corrida.

Além das peladas aos sábados, também amava o futebol jogado por Palmeiras, time do coração, e Fluminense, sua vertente carioca. Sabia escalar a linha do clube das Laranjeiras da década de 30 como se o último jogo tivesse sido na semana passada. Mesmo torcendo por eles, não deixava de admirar a beleza do futebol de outros clubes.

Acompanhava o Santos de Pelé, indo por vezes ao Maracanã acompanhar o melhor jogador do mundo. Também gostava da linha do São Paulo formada por Bauer, Sastre e Leônidas. Estamos falando de um time que jogava em 1945.

Em pé: Piolim, Rui, Zezé Procópio, King, Florindo, Noronha. Abaixados: Barrios, Sastre, Leônidas, Remo e Leopoldo.

Meu avô era daqueles jovens que iam semanalmente ver jogos em estádio. Na maioria das vezes, acompanhado por seu pai. Estava na inauguração do Morumbi, desfilou na abertura do Pacaembu e viu Pelé fazer o gol mais bonito de sua vida (não capturado pelas câmeras de TV) na rua Javari. Segundo ele, Pelé jogava mal a partida e fora vaiado. Calmo como só ele, depois do gol, olhou para a platéia em uma saudação com se dissesse: “Tenham calma, eu sei que sou o melhor do mundo”.

Dentre os ensinamentos do futebol e da vida, dois são muito marcantes. O primeiro, em que sempre me dizia: “Em uma discussão, há sempre alguém certo e alguém errado. É preciso ter humildade para se admitir que errou e arrumar as coisas”.

Sempre foi uma pessoa calma. A maior parte do que sei e amo do futebol é graças ao que vi com ele. Foram quase 23 anos de aprendizado e muita conversa. Não há nesse mundo o que apague o dia em que fomos juntos ao Museu do Futebol. Para mim, história. Para ele, lembranças.

Vou para sempre lembrar o que me disse em todos os jogos que assistimos juntos: “É preciso chutar em gol”. Isso, certamente, é muito mais do que futebol.

Valeu vô!

Boa viagem!

@fcury


A Copa de um Dunga zangado

junho 28, 2010

Copa do Mundo…Ahhh, a Copa do Mundo. Para os que amam futebol, um mês de debates, bolões, apostas e muita, muita discussão. E dentre os tanto desarranjos, um em especial chama minha atenção. O duelo Dunga x crônica esportiva.

Essa “guerra” de nervos não está relacionada somente ao fato de Dunga ter o cargo com o maior número de especialistas do mundo. Afinal, quem disse que ele sabe mais de futebol que eu ou você? Da Copa de 90 ao título de 94, a relação Dunga x Imprensa nunca se deu de maneira muito amável. Mas piorou muito desde o seu anúncio como o comandante da seleção.

Voltando um pouco no tempo, me lembro bem que em 2006 era colocado com absoluta certeza de que Dunga vinha por 2 motivos:

1 – Depois de tanta confusão e arruaça na preparação e disputa da última Copa, era preciso de alguém mais “xerifão”.

2 – Não seria problemático demitir Dunga a qualquer momento, para que Felipão assumisse a seleção quando estivéssemos mais próximos de 2010.

Dunga sempre foi marcado pela expressão fechada

E foi nesse tom que ele trabalhou nos anos seguintes. Sempre visto como tampão, limitado e rigoroso.

Dunga passou por tudo. Vitórias, derrotas e muitos títulos. E com tudo que conquistou, ou melhor, mesmo conquistando tudo, não caiu nas graças da imprensa e amantes do futebol. Futebol de resultados, mas não de jogo bonito.

Onze jogadores, um objetivo: vencer. Esse parece ser o lema de Dunga.

E teve de ouvir, durante 4 anos, que não chegaria à Copa do Mundo. Mas chegou, favorito e com o respeito dos jogadores. Porém, de novo, sem imprensa e opinião pública ao seu lado. Afinal, não levou com ele Ronaldinho, Ganso, Neymar, o filho da vizinha…

Concordo com grande parte dos questionamentos técnicos feitos pela mídia. Também queria ver o Ganso nessa seleção. E também não gosto de ver um quarto do time ser formado por volantes. Mas eu, mero espectador, já não agüentava mais ver os programas esportivos dedicados a criticar o trabalho de Dunga. Imagine ele.

Sempre uso como exemplo a seguinte simulação: imagine você em sua mesa trabalhando com 50 pessoas te olhando utilizar email, Power Point, ou seja lá o que usar no dia-a-dia. Isso, na minha opinião, é uma pequena comparação do que é entrar em campo.

Agora imagine que depois de trabalhar sob essa pressão, você entre em reuniões diárias e ouça que seu trabalho é ruim, mesmo sua empresa tendo crescido vertiginosamente no último ano. Adicione isso ao fato de que as pessoas que te criticam nunca sentaram em sua cadeira ou nem mesmo trabalharam na mesma área que você.

Para completar, você só pode falar nessas reuniões uma vez por semana, durante 15 minutos. Com exceção a esse período, só questionamentos. Como seria sua relação com essas pessoas da reunião?

Essa é mais ou menos a relação que Dunga tem com a imprensa. Todos os dias, em todos os veículos de comunicação de esporte, durante 4 anos, ele teve de escutar que não era bom o suficiente para o cargo que exercia. Por mais que não seja o melhor técnico do mundo, o volume de críticas ultrapassou limites. E como Dunga não é um cara calmo, falou mais do que devia no momento mais inadequado possível. Não se fala “Cagão” e “Seu merda” em uma coletiva de imprensa que todo o mundo está assistindo.

A ironia disso é que a imprensa exige de Dunga o comportamento que condiz com o cargo que exerce. Mas não o trata com o respeito que deveria.

@fcury


Cornetada

junho 16, 2010

Fóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóóó!

Fóóóóóóóóóó!

Cornetar: verbo transitivo direto, na gíria do Português do Brasil significa debochar, ridicularizar, reclamar.

Conjugação: eu corneto, tu cornetas, ele corneta, nós cornetamos, vós cornetais e, que inferno, todos os torcedores que vão pro estádio na África do Sul, cornetam!

Então tá, modo corneteiro on.

Sofridos 2×1 contra toda a “tradição”, “talento”, “ginga”, “futebol moleque” da seleção da… Coréia do Norte!?

Isso lá é jeito de estrear na Copa? O pentacampeão mundial quase que sucumbido diante do time do (pfff) Rooney Asiático?

Alguém tinha que ter gritado pra consertar o Brasil! Mas não houve quem o fizesse, afinal, o anão que temos no banco de reservas é mudo, né Dunga? A Branca de Neve seria mais macho e montaria um time mais ofensivo.

Como diz meu pai, parece que num sei!

Abre a boca, Dunga!

Aliás, bom seria se mudo fosse o narrador da partida. Galvão Bueno, não queremos saber que o pai do Maicon enterrou o cordão umbilical do filho num gramado de futebol. Arnaldo, dá um toque nele, a regra é clara: narre o jogo.

Só não torço pra que peça pra sair, sr. Galvão Bueno, pois o sr. mandou bem aceitando a brincadeira que te fizeram no Twitter. Para ver, http://bit.ly/acWnmM.

Mas saibam que mesmo com treinador medroso, mesmo com narrador bizarro, mesmo com vuvuzelas e todos esses corneteiros de plantão (incluindo a mim), o Brasil vai ser hexacampeão!

#prontofalei

@joaodutra


Os Libertadores da América

maio 18, 2010

Há uns 200 anos, Simón Bolívar e mais alguns líderes latinoamericanos decidiram que não queriam mais que América Espanhola fosse chamada de ‘América Espanhola’ e passaram a lutar pelo fim do domínio europeu na região.

Estátua de Simón Bolívar, na entrada do Central Park, em Nova York

Algum tempo depois, Dom Pedro I fez o mesmo. Gritou que se o Brasil não fosse independente, o bicho ia pegar.

Passados os anos de batalha, eles alcançaram seu objetivo. Tornaram o cone sul ‘livre’ das metrópoles do velho continente. Esses caras ficaram conhecidos como os Libertadores da América.

Às vezes me pergunto por que a Taça Libertadores da América causa tanto frisson na torcida e nos jogadores de futebol cá pra esses lados do Atlântico.

Boca Juniors, da Argentina, enfrenta o Defensor, do Paraguai, pela Libertadores de 2009

Não são partidas, são batalhas em campo. Quem torce costuma dizer que não basta talento pra conquistar o campeonato, precisa é de muita raça, muita luta. Precisa gritar. Precisa dar o sangue.

A origem do nome do campeonato talvez ajude a explicar isso. Quando entram em campo pela Libertadores da América, a torcida e os jogadores têm que honrar a luta de seus líderes históricos pela liberdade, têm que honrar o orgulho da sua pátria. E pra honrar a pátria, é preciso dar o sangue.

@joaodutra